Quase mil pessoas estão desaparecidas desde 2024 no Tocantins
Localização de desaparecidos apresentou queda de 20,59%
Por: Mavi Oliveira
26/08/2025 • 08h30
O Tocantins registrou 949 ocorrências de desaparecimento entre 2024 e 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). O número representa um aumento de 1,90% no período. Apenas em 2025, 375 casos já foram contabilizados, sendo a maioria em Palmas, que concentra 140 registros.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, a taxa nacional de registros de desaparecimentos cresceu 4,9%, com 81.873 notificações às Polícias Civis do país. A análise regional do Anuário mostra que, entre 2018 e 2024, as regiões Norte e Nordeste lideraram o crescimento, com altas de 41,4% e 31%, respectivamente.

Foto: Freepik
Localizações em queda
Apesar do aumento nos desaparecimentos, a localização de pessoas apresentou queda de 20,59% entre 2024 e 2025. Foram 437 ocorrências no período, sendo que, em 2025, 162 pessoas foram encontradas.
Na última terça-feira (19), um caso chamou atenção: uma idosa de 67 anos, Neli Ferreira Maciel, foi encontrada após cinco dias desaparecida. Ela estava em uma área de mata próxima ao aeroporto de Palmas, com ferimentos e estado de saúde debilitado.
Mídias sociais e registro de ocorrências
Ao Manchete do Tocantins, a SSP explica que o aumento de desaparecimentos pode ser atribuído ao apoio da imprensa e pela utilização das mídias sociais para divulgação e coleta de informações.
A pasta atribui a queda de localizações é devido ao maior número de registros de ocorrências e à não comunicação das localizações. "Com o retorno da vítima ao meio familiar, os noticiantes muitas vezes esquecem de comunicar a equipe sobre o fato ou registrar a localização da vítima, produzindo assim esse fenômeno."
Segundo a pasta, as principais causas de desaparecimento de pessoas em Palmas são motivações pessoais. Jovens e adultos lideram o número de ocorrências. A causa mais comum é a saída eventual de casa sem avisar aos familiares, onde a vítima retorna por vontade própria. Outras causas comuns são por questões de saúde, como esquizofrenia, bipolaridade, vícios alcoólicos ou drogas.
Impactos emocionais
A psicóloga Ana Motta explica que o desaparecimento de uma pessoa é um fenômeno que mistura dor, incerteza e desgaste emocional. Ela acrescenta que a ausência provoca um sofrimento diferente do luto tradicional.
"A falta de informação se o familiar está vivo ou não leva a uma angústia, onde há impactos psicológicos: familiares enfrentam sentimentos de culpa, impotência, ansiedade, e podem viver em estado de vigilância constante, sem conseguir retomar a rotina", diz.
De acordo com ela, os familiares e amigos de uma pessoa desaparecida devem buscar ajuda psicológica individual, cuidar da saúde física, manter uma rede de apoio para dividir responsabilidades e evitar o isolamento social. Ela ressalta que é importante falar sobre o desaparecimento.
"É fundamental lembrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é uma forma de preservar a saúde mental em meio ao caos que o desaparecimento traz", pontua.