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Deputado exonera assessor que foi alvo da PF por suspeitas de desvios de emenda

Processo foi adiantado por Afonso Motta na quinta-feira (13)

Por: Gabriel de Sousa/Estadão Conteúdo

18/02/202518h00

O deputado federal Afonso Motta (PDT-RS) exonerou nesta terça-feira (18) o secretário parlamentar Lino Rogério da Silva que, na semana passada, foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) que investiga desvios de emendas destinadas a um hospital do interior do Rio Grande do Sul. Lino também desocupou o imóvel funcional onde morava com o parlamentar e que foi um dos endereços vasculhados pelos policiais.

Foto: Marcos Oliveira | Agência Senado

Foto: Marcos Oliveira | Agência Senado


O Estadão procurou Lino Rogério da Silva, mas não havia obtido retorno até a publicação deste texto.

Ao Estadão, Afonso Motta disse que está "constrangido" por ter que exonerar Lino, mas que decidiu afastá-lo definitivamente do cargo para garantir o desenrolar das investigações. "[Estou] cumprindo com o que me cabe. Busco a verdade e ele tem direito de se defender", disse o deputado.

A exoneração foi adiantada por Afonso Motta na última quinta (13) dia em que a operação da PF foi deflagrada. O deputado, que estava no Rio Grande do Sul quando se deu a ação policial, foi até Brasília de avião para se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na saída do encontro, ele saiu em defesa de Lino, mas disse que deveria exonerá-lo do cargo.

Lino deixou o imóvel funcional em Brasília na sexta-feira (14) um dia após a operação. Segundo o Regimento Interno da Câmara, ele deverá devolver o crachá e as chaves do gabinete para a Casa Afonso Motta não soube dizer quando Lino fará o procedimento.

A operação, nomeada como EmendaFest, fez buscas em 11 endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados em Brasília e nos municípios gaúchos de Estrela, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Lajeado.

Os policiais identificaram que Lino participava de um esquema de desvios de emenda junto ao lobista Cliver André Fiegenbaum e o Hospital Ana Nery, de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande de Sul. Conversas entre o secretário e Fiegenbaum indicam um acerto de propina em troca da indicação de emendas. O valor combinado teria sido de 6% sobre três repasses ao hospital, no valor total de R$ 1 milhão, nos anos de 2023 e 2024.

Quem ordenou a realização da operação contra os investigados foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Segundo o magistrado, as provas reunidas demonstram a participação dos investigados para o "sucesso da destinação de emendas parlamentares para o Hospital Ana Nery e a consequente apropriação por particulares de parte desses recursos".

Na quinta-feira, Afonso Motta disse que estava "preocupado" e "sensibilizado" com as descobertas feitas pela PF. O parlamentar afirmou ainda que Lino trabalhou com ele por 15 anos e que sempre acompanhou as indicações feitas pelo gabinete.

"Eu estou preocupado e sensibilizado pelo fato de que é inadmissível uma circunstância como essa que, de certa forma, atinge o meu mandato. Muito mais que a questão pessoal, é o mandato que fica limitado e recebe uma censura", disse o deputado gaúcho.

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